Ary Barroso

Por: Renato Barbato

 

Ilustração: Costa de Souza

 

Ary de Resende Barroso, o locutor da gaita Ary Barroso, nasceu no dia 7 de novembro de 1903 na cidade de Ubá no interior de Minas Gerais.

Foi um pianista, radialista, locutor esportivo, cantor e compositor que brilhou com o surgimento das transmissões radiofônicas na década de 1920 e especialmente durante a Era de Ouro do Rádio.

Nossa personagem teve uma infância complicada, quando aos 8 anos foi adotado pela avó materna após ter ficado órfão de pai e mãe, seu pai era deputado estadual e promotor e sua mãe dona de casa. Passou por vários colégios mineiros e iniciou seus estudos de música com uma tia materna.

Aos 12 anos demonstrando seu talento precoce é contratado como pianista auxiliar no cinema de sua cidade natal e com apenas 15 anos compõe sua primeira música, um cateretê intitulado “De Longe”.

Recebe uma herança de 40 contos de réis com a morte do tio Sabino Barroso, e com 17 anos decide mudar-se para o Rio de Janeiro com a intenção de estudar Direito. Ingressa na faculdade mas devido a vida boêmia é reprovado o que faz o garoto desistir temporariamente dos estudos. Com o fim da herança recebida procura emprego e acaba sendo contratado como pianista do Cinema Íris.

Resolve voltar aos estudos em 1926 mas sem abandonar a noite e o piano, nessa época começa a compor em parceria com Lamartine Babo, seu contemporâneo na faculdade de Direito. Seu primeiro sucesso surge em 1929, mesmo ano que se forma bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, com a gravação feita por Mário Reis, seu grande incentivador, da música “Vamos Deixar de Intimidades”.

A década de 1930 foi prodigiosa para Ary Barroso. Começa a compor peças musicais para o teatro carioca, surgindo seu grande sucesso, “Aquarela do Brasil”, um samba exaltação, gênero que o acompanharia por toda sua carreira.

Contratado em 1943 pela Rádio Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro, comandou por vários anos o programa “A Hora do Calouro”, responsável por revelar grandes nomes da Música Popular Brasileira daquele período. Recebe em 1944 o diploma da Academia de Ciências e Arte Cinematográfica de Hollywood pela trilha sonora do filme de Walt Disney “Você já foi à Bahia?”. Recebeu indicação ao Oscar com a música “Rio de Janeiro” como melhor canção original no ano de 1945.

Como locutor esportivo tinha sua marca registrada, quando saía um gol, após gritar ele começava a tocar uma gaita com a finalidade de chamar a atenção do torcedor, uma vez que o grito da torcida muitas vezes encobria sua voz. Torcedor fanático do Flamengo ele se recusava a narrar o gol dos adversários, com frases do tipo, “Lá vem o inimigo, eu não quero nem olhar”.

São de sua autoria os sucessos: Na Baixa do Sapateiro, No Tabuleiro da Baiana, Os Quindins de Iaiá, Boneca de Piche, entre dezenas de outras totalizando aproximadamente 270 canções catalogadas, tendo como sua maior intérprete a pequena notável Carmem Miranda.

Amante da noite e dos prazeres que ela traz, desenvolveu cirrose hepática devido ao abuso do álcool, doença que parou a mente agitada de Ary Barroso no dia 9 de fevereiro de 1964, no município do Rio de Janeiro, cidade que ele amou e viveu intensamente.

 

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